domingo, 27 de novembro de 2011

Fui restando

É que você me deixou saudade e um gosto de bem querer guardado no peito, me deixou vontade e uma sensação estranha de que, alguma coisa, um dia, vai dar certo. Ficou a esperança que reluta em ser alimentada pelos encontros repentinos, pelas ligações surpresa e pelo cheiro, característico, da linha que fica entre seu pescoço e seu ombro. Sobrou um calor no colo e um frio na espinha, uma poeira que faz meu nariz coçar, minhas bochechas avermelharem e minhas pupilas dilatarem, uma rasteira que, sempre, me faz tropeçar e parecer mais desastrada do que o normal. E restou você, e a lembrança da gente, e você, e seus cacos; seus pedaços, e você, e eu, pensando que você ainda está aqui, e você, e o doce do seu cabelo, da sua voz e o enorme do seu coração, e o buraco do meu. Fui restando...

domingo, 30 de outubro de 2011

Quando você se fez real.

Já não bastasse você olhando no meu olho, dizendo que me queria sua, ainda tinha que virar amor? Não bastasse você me segurando, cheirando meu cabelo, ainda tinha que virar desejo? Não bastasse você entranhando seu corpo no meu suor, ainda tinha que virar paixão? Toda a lírica esvaída, todo o ar tomado por um desejo intenso, toda a métrica desmetrificada; desmistificada. E o vácuo, dentro de mim, que você consegue preencher como ninguém. Não bastasse você conseguir roubar minha sanidade, ainda tinha que chegar com esse jeito manso, como quem chega pronto para roubar qualquer sorriso do mundo? E como se não bastasse você existir, ainda tinha que me completar, assim, tão desse jeito?

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Tá difícil sem você aqui.


A semana acabou, a gente não se viu, e eu me pergunto: até quando esse amor vai durar em mim? Até quando vou esperar você bater na minha porta, só pra colocar meu cabelo atrás da orelha, dizendo o que eu espero ouvir desde o dia em que você decidiu não mais voltar? É, meu caro, tá difícil sem você aqui. Até quando vou querer fazer do seu abraço, meu pijama? E da sua respiração meu aquecedor? A sua presença deixava tudo mais colorido e fazia com que meu coração palpitasse extravagantemente e meu sangue dançasse no ritmo perfeito. Eu posso abrir as cortinas agora, esperar ver sua sombra dobrando a esquina da minha rua, e esperar ver seu cabelo deixando um rastro de luz, posso esperar sentir teu cheiro, que o vento faz o favor de trazer e ver teu dedo, nervoso, apertando o botão do interfone. Passar uma tarde inteira em um universo diferente, longe daqui, dentro de você. Onde nada faça sentido, onde tudo seja intenso demais pra ser esquecido. Apreciar o crepúsculo e ver chegar a noite, que promete teus dedos dançando no meu corpo e teu sorriso enchendo a casa de alguma coisa, que até agora, eu não sei exatamente o que é. Só sei que é bom, é bonito, é divino. Fingir que nada lá fora existe e que o amanhã está longe demais, mesmo sabendo que ele logo vai chegar e te levar embora e eu vou ficar aqui, catando seus vestígios em mim, catando seus fios de cabelo perdidos entre os lençóis, lembrando de cada detalhe e pensando se, daqui a 50 anos, vou ter teu sorriso, se vou ter esse teu cheiro característico, que gruda em mim quando você sai, se vou poder pegar na tua mão e melancolicamente esboçar um sorriso doloroso, cheio do medo da perda. Assim, exatamente do jeito que faço hoje, quando o despertador toca e insiste em avisar que você precisa ir e que, talvez, vá demorar a ter coragem de vir aqui de novo, viver uma vontade que mais parece ser unilateral.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Quanto querer


Quero você segurando as minhas mãos quando eu chegar aí e dizendo, com os olhos, o quanto me ama, que sempre me amou e que não vai mais me soltar. Quero a sua força abrindo meu vestido e seus versos falando tudo o que eu preciso ouvir. Quero a suavidade do seu toque na minha nuca e todo o seu destrambelhamento na cômoda. Quero abrir as gavetas com você e me desesperar por ter perdido a hora e a roupa, mais uma vez. Quero, de novo, meu suor com teu cheiro e meu batom no teu peito. Quero tudo, só pra ver se consigo fazer florescer sorrisos dentro da gente.

sábado, 9 de julho de 2011

sexta-feira, 24 de junho de 2011

E se não fosse você...


Não fosse amor, não haveria desejo, nem medo da solidão. 
Se não fosse amor não haveria saudade, nem o meu pensamento o tempo todo em você.
(Caio Fernando Abreu)

De trás para frente

Partiram.
Certos de que um dia, um dia, iriam se encontrar outra vez. 
20 anos, quem sabe, ou 20 dias. 
Uma eternidade presa em um único segundo de despedida. 
Não estava nada bem, nada claro, nada colorido. 
Eles não passavam de um cinza. 
Discutiam, discutiam, discutiam e muito sobre o que seriam depois, isso se viessem a ser um depois, um talvez, esperando a certeza, duvidando do sempre. 
Estavam bem juntos, e bem levavam, bem queriam, eram bem. 
Escolheram ser um; dois em um. 
Viveram, eternizaram, buscaram um ao outro, como quem busca o tudo. 
Amaram-se. 
Odiaram-se. 
Conheceram-se. 
Estavam dispostos. Apenas.

sábado, 21 de maio de 2011

Sobre amor; amar.

Sabe aquele amor que tem gosto de velho; de guardado, um amor que tem cheiro de naftalina, tem aspecto de usado; estraçalhado, aquele amor efêmero, que insiste em ser efêmero várias vezes na vida?! Um amor teimoso, com cor de pecado e olhos de salvação, um amor com abraço apertado, com cabelos esvoaçantes; gritantes. Esse amor que faz o mal se esvair. Um amor que tem diamantes no lugar dos ouvidos, que respira a fome de amar, que se alimenta de amantes. Um amor que sabe ser amor e sabe ser "presença&atitude&respeito&váriosoutros&s". Sabe aquele amor de "gaveta de cartas", de caneta tinteiro, de serenatas?! O mesmo amor de fogo e baldes de água fria, o mesmo amor de calos e feridas. Um amor que fala a língua do mundo em uma só pessoa.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Aprendeu?

Eu, logo eu, que sempre andei tanto com os pés no chão. Eu, que passei esse tempo todo desacreditando em palavras bonitas e gestos sinceros, pulei o capítulo principal, rasguei a página introdutória, enfim, fiz pedaços da foto de capa. Bateu aquele cansaço, aquela coisa sôfrega de esperar por algo que não vem, e lembrei que "Não há nada a ser esperado. Nem desesperado" como já disse Caio Fernando Abreu. - Vamos lá garota, liga o som, muda a cor do quarto, sai desse poço, anda. Nunca foi tão difícil assim, né?! - Existem surpresas no caminho, existe um "sim" guardado num futuro que outrora se fez presente e agora faz parte do passado. Olha, quem sabe as coisas não vão começar a se acertar a partir do momento desejado, porque dizem que quando se deseja muito uma coisa - mas só quando se deseja com toda a sua alma - ela se realiza, ou sei lá, se concretiza.
Mas quem diria: eu, logo eu, que sempre andei com tanta cautela, que nunca precisei pedir trégua ou coisa parecida, agora estou aqui, tentando dar um jeito nessa feridinha que fizeram bem aqui dentro, bem aqui onde eu achava que ninguém poderia entrar, e olha, estou procurando o veneno pra matar a esperança que ficou, e aí vem Lulu Santos me lembrando que "Todo farol iluminará uma ponta de esperança" a cura, é mesmo de se admirar. Bem, confesso que não tá sendo fácil, logo pra mim, que sempre tive essa mania terrível de simplificar tudo, de cortar umas coisinhas daqui e exterminar outras d'alí, não tá sendo fácil, mas, qual é? Nunca me disseram que seria simples, me disseram, apenas, que valeria muito à pena. Uma hora a gente  acaba fechando os olhos e se dando conta que a graça da vida está no aprendizado diário. Eis  que vale muito à pena: acordar sentindo que o dia vai ser bom. E vai.

sábado, 23 de abril de 2011

23.04.2011

Quando eu penso que a gente passou, vem a saudade e olha o que ela faz: revigora - RE VI GO RA - dá pra acreditar?

XIII V MCMXL

"Perguntam-me qual é o nosso objetivo? Posso responder com uma só palavra: Vitória - vitória a todo o custo, vitória a despeito de todo o terror, vitória por mais longo e difícil que possa ser o caminho que a ela nos conduz; porque sem a vitória não sobreviveremos." - Winston Churchill

Me deixar, te fazer aqui.


Uma eternidade para desvencilhar os dedos dos teus cabelos.
Tão só, nem isso para desatar os nós da gente.
Os sentidos não fazem sentido, quando respirar teu cheiro me faz perceber que qualquer demora na tua presença é um sem fim de sensações.
Tantas linhas cruzadas, tantos “nãos” e “porquês?”. Por que?
Tantos “se”s e talvez.
Tanto de nós em tão pouco tempo, tanto de mim.
Um explodir de novas emoções.
Invasões.
Quero você aqui, quero sua força, sua facilidade em abrir potes; em abrir corações. Quero sua perfeita imperfeição, acordando-me no domingo e deixando a luz entrar pelas frestas da janela, iluminar seus pelos, e me tirar o fôlego, como sempre, como nunca.
Tanto tato, arrepio-me e vou, me deixo ser tão tua. Tão tua.
Vem aqui, que pra ser um só é preciso, antes, sermos dois.
É que nessas tantas aventuras nossas, eu daria tudo, tudinho pra não te soltar nunca mais.
Reticenciar você em mim.


Fragmentos de Tati B., Priscila R. e Caio F.

sábado, 2 de abril de 2011

2 x 1

Eu quero ser mais do que uma simples demora, do que uma angustiante espera, quero ser teu eterno quando o eterno não fizer mais presença, quero ser mais do que uma simples alegria contida numa tarde de domingo, quero ser acalanto, quero ser clarão. Quero segurar tua mão e pedir pra que você não me solte, quero dizer que você pode respirar, pode viver e pode ser comigo. Quero colocar em prática o plano de dormir na rede, de usar sua camisa do futebol, quero enfeitar nossa história com gargalhadas e arrepios, quero acordar pela manhã sentindo teu cheiro e ouvindo tua respiração, quero ser morada de carinho, quero te encher de beijinhos, enrolar teu cabelo no meu dedo e te fazer dormir no meu colo. Quero ser presença. Quero ser tua.

terça-feira, 8 de março de 2011

Palavras de avó

Um dia resolvi me desfazer de uma das mais cruéis dúvidas que rondava a minha cabeça. Sentei na mesa da cozinha, passei um minuto eterno olhando para a minha avó que cozinhava, fazendo exalar aquele cheiro do melhor tempero do mundo e, como quem não queria nada, perguntei: 
- Vovó, por que as pessoas passam?
E ela respondeu:
- Por que as pessoas o que?
- Por que as pessoas passam, vó? Por que elas mentem dizendo que vão ficar pra sempre e passam? Por que elas vão embora e não deixam nada delas com a gente, a não ser o rosto na nossa cabeça?
E, com toda a sabedoria de vida que cabia no espaço, ela me respondeu:
- As pessoas passam porque se não fosse assim, o nosso coração superlotaria. As pessoas precisam passar, precisam levar um pouco de nós e deixar, nem que seja, só o rosto delas conosco. Já pensou se todo mundo que você conhecer na vida, resolver ficar para sempre como dizem? Não iria sobrar espaço no seu coração para tanta gente. É uma lei: primeiro, você conhece a pessoa, depois, aprende com ela e quando ela precisa ir, vai.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Quando em você acreditei, criei asas.

Tanta trivialidade, tanta importância, tanta falta de senso, tanta carência de nexo, tanta abstinência de nós, tudo isso, e mais um pouco, serviu tanto pra resumir o que eu sentia. O laço desatou, a carta rasgou, a flor murchou, tudo passou, eu fiquei, você não. Você foi... sem o último beijo, sem o último abraço, sem o último balançar de ancas, sem o último e mais intenso "eu te amo" que eu tinha guardado para a próxima vez. Você foi... e foi por opção, foi por falta, por excesso, foi por ir e por ficar bem. Estabilidade? Foi melhor pra mim? Por favor, não use palavras sem sentido, não ouse falar sobre o que não sabe, sobre o que não sente; não ouse falar sobre mim. Você nem sequer me conhece tão bem quanto pensa conhecer. Você parecia se importar, parecia até que sabia onde estava pisando, parecia que fazia de propósito. Você duvidava, teimava, fazia birra, deixava pra lá, esquecia, e era essa, a parte que mais doía. Você esquecia, simplesmente, esquecia. Falava e esquecia, fazia e esquecia, magoava e esquecia, esquecia, esquecia e esquecia, ou fingia que esquecia, fingia que ia, fingia que voltaria, que me amaria, um dia. Esse dia, hora estava perto, oras, longe o tempo todo. E você fingia tão bem que eu cheguei a acreditar.

Eu sinto tanto por nós.

Meter os pés pelas mãos; ficar sem saber o que fazer; fingir que, um dia, vamos dar certo; me preocupar com o que você vai pensar; tentar perder o foco quando você está por perto; acreditar que nada vai mudar o que eu sinto por você... tantas coisas que não são nada, se comparadas ao tanto de sentimento que eu trago no peito. E eu sinto tanto, que acabo sentindo por nós.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Sobre amor e demasias

Amor demais, faz mal demais. São palavras demais, vontades demais, pensamentos demais, sorrisos demais, é paixão demais, mesmo quando a presença se faz "de menos".

Querido coração,

acordei sentindo sua falta, era como se, realmente, um vazio preenchesse todos os espaços que sobravam em mim. Passei a não conseguir mais amar - pelo menos, não outra pessoa -, não conseguia sentir mais aquele aperto, nem nada parecido. Isso era estranho, pelo costume de sentir você batendo e querendo pular do meu peito, e aí, você sumiu; não está mais aqui. E então, o que me resta? Já percebi que você não vai voltar nem tão cedo, percebi que você resolveu se algemar à ele e jogar as chaves no lago mais próximo. Vou ter que seguir com o RESTO do corpo e toda a alma que me sobrou.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Remember me

Eu não quero que você seja só minhas mãos afagando meu peito doente de uma saudade que não tem data pra terminar, nem que faça das minhas lágrimas sua piscina. Não se permita ser o tudo do nada pra mim e não permita que eu seja o nada do "qualquer coisa" pra você, porque cair no seu esquecimento, seria como não mais existir.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Por você

Ele tem o dom de me fazer chorar apenas com seu silêncio. E ele faz, como que de propósito, só pra ver o quanto eu aguento ou o quanto eu posso aguentar. Parece um teste de sobrevivência no qual o meu limite é inválido. Eu cansei do seu esquema. Cansei de tentar desvendar teus segredos ou descobrir o que vive debaixo do brilho dos teus olhos. Eu quero é revelar suas mentiras, me desapegar das suas verdades, deixar meu coração bater - livre, eu quero me livrar de todas as algemas que me prendem à você. Minha cabeça precisa parar de borbulhar de pensamentos que me remetem à ti, eu preciso me desvencilhar dos teus (a)braços, preciso me desligar do seu mundo. É pro meu bem, só pro meu bem. Aliás, é pro seu bem também. [invisível]Já pensou em acordar sem ter que ler um torpedo da insuportável garotinha dramática e excessivamente romântica?[/invisível]. Vai doer, mais em mim do que em você - se é que em você vai doer, é claro - mas vai passar, porque tudo passa. To de cara lavada, tá salgada, mas tá lavada. To de alma limpa, de peito aberto, decisão tomada, olhos marejados e fora do seu mundo, por opção ou pela falta dela. Por você. Por mim.