terça-feira, 2 de novembro de 2010

Desabafo

Pressão vinda de todos os lados. Ando me sentindo um mergulhador que ultrapassou o nível permitido; me sinto pressionada, e só. "Tudo depende de você" tudo bem, eu já sei disso, afinal, ninguém pode fazer as coisas por mim, certo?! Fico desejando que o dia tenha o dobro de tempo e me imagino vivendo assim, 48 horas por dia. Visitar amigos, encontrar um amor, sair com a família, viajar, descansar, enfim. Troquei tudo isso e mais um pouco pela loucura - sim, LOU-CU-RA - que é a preparação para o louco - LOU-CO - curso de medicina. Louco, mas tão sonhado curso de medicina. Tão sonhado, mas tão banalizado curso de medicina.
Uma descarga de autoestima aqui, um pouquinho de moral alí, dias e mais dias sem almoço ou jantar ("Não pode menina,tem que comer". É verdade, tenho que comer, afinal de contas, C6H12O6 + O2 → 6 CO2 + 6 H2O + energia. Energia esta, que eu preciso e MUITO.) uma notinha alta aqui, uma notinha baixa alí, uma questão dificílima aqui, lágrimas e labuta, suor e dores de cabeça cada vez mais fortes, juntando tudo, BRANCO. Alerta vermelho!
- "Relaxe que isso é normal."
- "É O QUE? Para né?! Por favor, PA-RA! Branco é normal? Tá louco? Como eu vou fazer a porcaria da prova se DEU BRANCO?"
- "Deixa de frescura menina, todo ano é a mesma coisa... se acalma."
- "MAS EU ESTOU CAAAAALMA! (:@)"
Tudo bem, nem tão calma e eu assumo. Cada dia que passa, é menos tempo, é menos oportunidade, é MAIS branco.
Insegurança! Eu não sei como lidar com isso. Não sei. Não tem jeito. A juventude é mesmo dúbia; maturidade para lidar com decisões que serão eternas e nem um - unzinho que seja - pingo de segurança para lidar com outras situações.
Memória. Lembro da hora que decidi: "VOU FAZER MEDICINA.", Deus, quanta convicção.
Acredito que as únicas coisas que me transmitem calma, pelo menos nessa reta final, são... é... hmm...
- "NADA ME TRANSMITE CALMA? PUT#$ QUE PA%&$*@#"
- "Minha filha, venha cá, tome esse calmantezinho."
- "ÉÉÉ O QUE? TÁ DOIDA MÃE? CALMANTE? QUER ME POR PRA DORMIR NA HORA DA PROVA?"
Não tem jeito, não tem calmante que me acalme, a não ser ver meu nome estampado no listão.
Eu só aceito esses momentos de desequilíbrio, porque nunca me disseram que seria fácil, apenas me disseram que valeria à pena.

domingo, 31 de outubro de 2010

Eu posso.

Eu posso até ser a pessoa errada, mas também posso me transformar na pessoa certinha; na pessoa que encaixa-se perfeitamente com você.
Posso até fingir que mudei pra te agradar, mas não não posso fingir que não te amo mais.
Eu posso até tentar não respirar, mas eu sei que a única coisa que me tira o ar, é o fato de ter você comigo.
Eu podia concordar com tudo o que você diz, ao menos que você falasse que a nossa história chegou ao fim.
Eu posso até tentar imaginar minha vida sem você, e imagino isso, sentindo uma enorme dor no peito, que com certeza, só vai cessar quando eu te ter nos meus braços, mais uma vez.
Eu posso até me obrigar a dormir sem pensar em você, mas eu sei que não vou conseguir - pensar em você é tão bom, que tornou-se algo involuntário.
Eu poderia até tentar te esquecer, desde que tudo o que eu faço, olho, ouço, sinto e penso, não me lembrasse você.
Você e seu sorriso dobrado, seus olhos apertadinhos, sua cara de bobo, sua voz, falando pausadamente e com todas as letras: "EU TE AMO". E era o "eu te amo" que qualquer pessoa queria ouvir, mas era o MEU "eu te amo". Era só pra mim.

Parece mentira.

Com certeza, você já andou na rua e sentiu um perfume que te fez lembrar alguém, você já olhou para uma foto e voltou ao momento registrado na mesma, você já esteve do lado de alguém só em corpo, porque seu pensamento estava longe dalí, você já se arrependeu de algo que falou alguns instantes após ter falado, e você sabe que aquele filme que vocês viram juntos no cinema vai passar na TV. E você gelou... porque o bom daquele momento já passou. E aquela música que você odiava, mas ouvia sempre que ele ouvia também? E aquela outra música que você adorava e agora prefere não escutar porque te lembra exatamente a pessoa que você quer esquecer? Com certeza, você já viveu um dia no qual todos os seus planos deram errado, mas no finalzinho, aconteceu alguma coisa que o transformou num dia perfeito. E você também já viveu aquele dia em que tudo deu certo e final estragou. Você já chorou por lembrar de alguém que amava e não poder dizer isso para essa pessoa. E aquele amor do passado, que você reencontrou ontem e só percebeu hoje o quanto ele mudou? Com certeza você já passou por tudo isso e por mais uma porção de coisas. A beleza da vida está em transformar maus momentos em aprendizados e bons momentos em memória. O hoje é uma dádiva embasada no ontem e cheia de pretensões sobre o amanhã. Aproveite.
(Baseado em um texto que não lembro de quem é, desculpa. ;x)

domingo, 17 de outubro de 2010

Afraid.

Eu tenho medo do que está por vir.
Tenho medo da escuridão.
Tenho medo de dormir com os pés pra fora da cama.
Tenho um medo que parece não ser meu.
Tenho medo do bicho papão.
Tenho medo de perder meus pais.
Tenho medos insensatos.
Tenho medos claros; óbvios.
Tenho medo da liberdade, mas anseio por ela.
Tenho medo das formas de amor, mas me encanto com elas.
Tenho medo de desafios, mas sempre opto por enfrentá-los.
Tenho medo de altura, mas não evito meus abismos.
Tenho medo do tempo e do que ele faz.
Tenho medo de envelhecer, mas sei que a outra opção pode ser pior.
Tenho medo de sentir dor; medo de causar dor em alguém.
Tenho medo de pessoas e, na verdade, eu nem sei de quem.
Tenho medos claros; óbvios.
Tenho medo das incertezas.
Tenho medo das certezas.
Tenho um pouco de medo.
Tenho medo de não mais tê-lo - e entenda isso como quiser.
Tenho medo do medo e medo da falta dele.
Tenho medo de tentar respirar e não conseguir, mas, tenho mais medo de não tentar.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Eis o tempo da mudança.

A liberdade surte efeito e o calor lá fora, é capaz de acender um cigarro. Tem gente que olha torto, tem gente que nem liga, tem gente que se preocupa com o mundo e tem gente que nem liga. Parece que o "não é permitido", serve como catalisador para reações que ninguém explica. É proposto um jogo. Dominó e voilà, quem perde, perde uma peça. O tempo vai passando e a combustão continua. Tudo vai acontecendo de maneira muito sutil e termina-se por ouvir diversas suposições com relação ao mundo, como: "Por que o mundo é assim?", "Por que as pessoas são assim?", "Violência, drogas, gente jogando lixo no chão..." e eu podia ouvir as gargalhadas. O mundo é mesmo tão dúbio; violência, drogas, gente jogando lixo no chão e ainda assim, a pressa de chegar à algum lugar, cede posição para a entrega verdadeira e dedicação integral a alguém ou alguma coisa. O que não vem ao caso, ou vem, por acaso? Depois que você abre a mente para algumas coisas, você passa a ter um leque de ângulos de observação e a sensação, depois disso tudo, é de estar um patamar acima do comum.Vem à mente Gregório de Mattos Guerra e seu "embaraço de pernas", "união de barrigas" e "tremor de artérias", sua "confusão de bocas", "batalha de veias", "reboliço de ancas", Começo a medir ações, calcular reações, liberar e prender. Quando se perde um sentido, se apura outros. De olhos fechados eu não vejo, mas em contrapartida, sinto em dobro, literalmente. "Calma aê, calma aê, calma aê. Pra mim, já deu.". E dá licença que eu to passando pra pensar. "Muito tempo é quase nada" e pouco tempo, então, o que será? Ouço vozes ao longe, e de costas, eu posso sentir o que está acontecendo. O dia acaba e a fome chega, abre-se mão de um ideal para saciar o desejo de rebeldia. Um banho, uma cama, travesseiro e cobertor. A noite se vai, afirmando: "Nada abala a alegria de um sujeito que vê, na simples questão de estar vivo, um bom motivo pra comemorar."