terça-feira, 27 de setembro de 2011

Tá difícil sem você aqui.


A semana acabou, a gente não se viu, e eu me pergunto: até quando esse amor vai durar em mim? Até quando vou esperar você bater na minha porta, só pra colocar meu cabelo atrás da orelha, dizendo o que eu espero ouvir desde o dia em que você decidiu não mais voltar? É, meu caro, tá difícil sem você aqui. Até quando vou querer fazer do seu abraço, meu pijama? E da sua respiração meu aquecedor? A sua presença deixava tudo mais colorido e fazia com que meu coração palpitasse extravagantemente e meu sangue dançasse no ritmo perfeito. Eu posso abrir as cortinas agora, esperar ver sua sombra dobrando a esquina da minha rua, e esperar ver seu cabelo deixando um rastro de luz, posso esperar sentir teu cheiro, que o vento faz o favor de trazer e ver teu dedo, nervoso, apertando o botão do interfone. Passar uma tarde inteira em um universo diferente, longe daqui, dentro de você. Onde nada faça sentido, onde tudo seja intenso demais pra ser esquecido. Apreciar o crepúsculo e ver chegar a noite, que promete teus dedos dançando no meu corpo e teu sorriso enchendo a casa de alguma coisa, que até agora, eu não sei exatamente o que é. Só sei que é bom, é bonito, é divino. Fingir que nada lá fora existe e que o amanhã está longe demais, mesmo sabendo que ele logo vai chegar e te levar embora e eu vou ficar aqui, catando seus vestígios em mim, catando seus fios de cabelo perdidos entre os lençóis, lembrando de cada detalhe e pensando se, daqui a 50 anos, vou ter teu sorriso, se vou ter esse teu cheiro característico, que gruda em mim quando você sai, se vou poder pegar na tua mão e melancolicamente esboçar um sorriso doloroso, cheio do medo da perda. Assim, exatamente do jeito que faço hoje, quando o despertador toca e insiste em avisar que você precisa ir e que, talvez, vá demorar a ter coragem de vir aqui de novo, viver uma vontade que mais parece ser unilateral.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Quanto querer


Quero você segurando as minhas mãos quando eu chegar aí e dizendo, com os olhos, o quanto me ama, que sempre me amou e que não vai mais me soltar. Quero a sua força abrindo meu vestido e seus versos falando tudo o que eu preciso ouvir. Quero a suavidade do seu toque na minha nuca e todo o seu destrambelhamento na cômoda. Quero abrir as gavetas com você e me desesperar por ter perdido a hora e a roupa, mais uma vez. Quero, de novo, meu suor com teu cheiro e meu batom no teu peito. Quero tudo, só pra ver se consigo fazer florescer sorrisos dentro da gente.

sábado, 9 de julho de 2011

sexta-feira, 24 de junho de 2011

E se não fosse você...


Não fosse amor, não haveria desejo, nem medo da solidão. 
Se não fosse amor não haveria saudade, nem o meu pensamento o tempo todo em você.
(Caio Fernando Abreu)

De trás para frente

Partiram.
Certos de que um dia, um dia, iriam se encontrar outra vez. 
20 anos, quem sabe, ou 20 dias. 
Uma eternidade presa em um único segundo de despedida. 
Não estava nada bem, nada claro, nada colorido. 
Eles não passavam de um cinza. 
Discutiam, discutiam, discutiam e muito sobre o que seriam depois, isso se viessem a ser um depois, um talvez, esperando a certeza, duvidando do sempre. 
Estavam bem juntos, e bem levavam, bem queriam, eram bem. 
Escolheram ser um; dois em um. 
Viveram, eternizaram, buscaram um ao outro, como quem busca o tudo. 
Amaram-se. 
Odiaram-se. 
Conheceram-se. 
Estavam dispostos. Apenas.